domingo, 7 de agosto de 2011

NOTÍCIA BOA

Ângela Lago anuncia:
"Saindo do forno pela Companhia Das Letras (Letrinhas), "Meu filho pato E mais contos sobre aquilo de que ninguém quer falar." Organizado por Ilan Brenman, ilustrado por Rafa Anton e contos de diversos autores, eu inclusive. Com apoio de 4 Estações Instituto da Psicologia, um livro também para crianças pequenas que enfrentam a questão da morte."
Vejam o que diz a editora a respeito da obra:

MEU FILHO PATO - E mais contos sobre aquilo de que ninguém quer falar
Vários autores


Clique para ampliar
Ao longo do seu desenvolvimento, toda criança vivencia situações de perda - como quando muda de casa, quando nascem os irmãos, quando adoece ou morre um ente querido -, que podem gerar sentimentos e reações fortes. Se esses momentos representam vivências difíceis, por outro lado podem nos ajudar a crescer. Para que as crianças possam enfrentar esses desafios é muito importante que consigam expressar seus sentimentos, em conversas e brincadeiras ou através de histórias ficcionais.
Pensando na dificuldade que muitos adultos têm em falar com seus filhos sobre a morte, o escritor Ilan Brenman, autor de inúmeros livros de sucesso destinados ao público infantil, e a equipe de psicólogas do Instituto 4 Estações, especializadas em lidar com situações de perda, resolveram convidar seis escritores de renome para criar histórias para os pequenos sobre esse assunto. O resultado é um livro tão variado em estilos - há contos de humor, outros mais tristes, um mais psicodélico, cordel e poesia - quanto em conteúdo - muitas possibilidades para que as crianças possam falar sobre a morte e entendê-la como um fenômeno inerente à vida.

Ainda não li, mas convenhamos: Ilan Brennan organizando e Ângela Lago sendo uma das autoras, dá pra não ser bom?
Comentem, quando lerem.

domingo, 3 de julho de 2011

MANIAS DE LEITOR




Se você também tem umas manias na hora de pegar um livro e começar a ler, pode ficar tranqüilo: não está sozinho!  

Parece que quanto mais intimidade temos com esse ‘personagem’, mais a gente se sente à vontade com ele...
Veja o que dizem alguns leitores.


"Preciso de uma lata de refrigerante gelada, desligar a música e substituir pelo barulho da rua. A barulheira me concentra pra ler, não sei por que...". (Kenji)
“Pra ler, eu coloco uma música qualquer e começo do início. Preciso sempre de alguma coisa doce, nem que seja um resto de chocolate (até um achocolatado já da pro gasto); e, normalmente, preciso de algo pra ficar abraçada (costume de quando eu era criança que me abraçava a um ursinho sempre que eu observava algo). É até uma desculpa pra ficar com a minha gata no colo...” (Juh)

Meus Hábitos de Leitor

(In Dia a Dia do Revisor, on 26 de março de 2009, at 12:21 am)

Li nas Laranjinhas, que imitaram o Lendo.Org, que copiou dos Livros e Afins.
Gostei da brincadeira. Faça também. Quais seus hábitos de leitor?
1. Estaciono longe o suficiente para ler algumas páginas.
2. Meu carro sempre tem livros.
3. Almoço com um livro. Leio entre um prato e outro.
4. Leio tudo o que vejo. E reviso tudo.
5. Caço erros, mas jamais marco correção em livro que eu não esteja revisando.
6. Marco a lápis os trechos de que gosto e que possam gerar um tópico no blogue.
7. Não gosto de ler no computador.
8. Revisando, imprimo para ler no papel.
9. Em casa, normalmente leio na cama.
10. Jamais leria na tela do celular.
11. Prefiro ler deitado ou em pé.
12. Uma de minhas diversões é ler no metrô.
13. Leio na praia e na piscina. Aprendi com minha mãe.
14. Adoro ler nos pufes da Cultura da Paulista.
15. Teria uma espreguiçadeira no trabalho.
16. De avião ou de ônibus, leio viajando.
17. Bucólico é ler à sombra da árvore, ao som dos pássaros, em uma tarde ensolarada.
18. Aprendi a ler antes de entrar na escola.
19. Li muito desde criança.
20. Dormir na biblioteca de meu avô inspirou-me a ler.
21. Matava aula para ler na biblioteca.
22. Lia mais antes de estudar Letras.
23. Lia mais rápido antes de ser revisor.
24. Não leio mais de dez páginas por hora.
25. Paro leituras, mas não pulo páginas.
26. Tenho sempre um livro em andamento.
27. Leio livros sobre livros.
28. Leio a ficha técnica e procuro o revisor.
29. Conto as páginas restantes e calculo o tempo.

30. Escrevi um livro, mas não terminei


(Pablo Vilela, em "Cadê o Revisor", no seguinte endereço: cadeorevisor.wordpress.com) 

Que tal você contar as suas manias de leitor, agora?

INAUGURAÇÃO





Com a palavra, o leitor.

“Ler Macunaíma, para mim, foi uma experiência singular. A primeira vez que li esse romance, comecei intrigada pelo título, indagando como poderia um herói não ter caráter algum. Estava acostumada com os heróis do romantismo, sempre elegantes, polidos, apaixonados... sobretudo, apaixonados que sofriam apaixonadamente... Minhas referências literárias remetiam, sobretudo, a autores como José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo... e outros similares. Tinha lido também algumas obras de Machado de Assis e Eça de Queiróz, mas eu gostava mesmo era dos primeiros. A primeira leitura foi uma travessura, uma investida secreta na biblioteca de casa, escolhendo um livro que não era um dos indicados pelo meu pai.
Foi quase um desastre. Fiquei indignada com aquele herói tão fora dos padrões das minhas expectativas e com valores tão diferentes daqueles que me haviam sido ensinados. Mentir? Jamais. Enganar os outros, então... nem pensar. E o que era aquilo de “brincar” ? Será que era brincar mesmo?
A linguagem, então, que diferença. Muita coisa eu não entendia, o que tornou a leitura quase insuportável, numa determinada hora. Era persistente, porém. Não desistia tão fácil de uma leitura, e terminei. Mas não adiantou muita coisa. Fiquei decepcionada. Não entendia aquela mistura de lendas, os caminhos absurdos que o herói fazia nas suas peregrinações. Achava uma loucura, mas gostava da mistura de ficção com realidade no encontro de Macunaíma com personalidades brasileiras reais.
A segunda vez que li Macunaíma foi no ginásio. A professora de literatura recomendara. Antes, porém, fizera uma preleção sobre o Movimento Modernista, sobre como estava o país e o pensamento brasileiro no momento da produção da obra. Aí entendi. Foi como se tirassem um véu de sobre o romance. Compreendi as intenções de Mário de Andrade. Compreendi a tal de desregionalização da obra, os motivos do autor para a utilização da linguagem, a costura que ele fez da cultura brasileira, a crítica ao pensamento da época e aos preconceitos de então, a pesquisa por detrás da obra.
Nessa segunda vez, estudei a obra. E imaginei tê-la compreendido.
A terceira vez que li Macunaíma, foi como se lesse uma longa história, um longo causo... daqueles que ouvia falar que eram contados pelos caipiras em noites de lua cheia. Foi de uma tacada só: comecei na sexta, e terminei sábado à noite, no meio de uma faxina na minha biblioteca. O livro estava ali, empoeirado, pedindo para ser aberto... e eu não resisti. Li, deleitando-me. E foi então que descobri sua atemporalidade, sua genialidade, sua magia. Que senti minha alma fisgada, literalmente, por aquelas palavras...
Foi nessa vez que pude compreender o que é arte.”
                                                                                                 (Lêda Gontijo Pereira, artista plástica)


Se quiser, assista um trecho do filme: www.youtube.com/watch?v=QduPWn4CPx0. Você pode, também, ler a sinopse na Livraria Cultura, acessando o link: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=2359383)


Sua vez, agora... Poste seus comentários sobre o que está lendo.

LIVROS

(...)

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que devotamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los para fora das janelas
(talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou – o que é muito pior – por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
(...)                                             (Chico Buarque)

TERTÚLIA

A Reunião. Aland Estime


Tertúlia: "pequena agremiação literária, menor do que as academias e arcádias" (assim diz o Houaiss).
Ou seja, espaço de conversa sobre a palavra da literatura.


O que dizer para inaugurar uma conversa como essa, que tem a palavra como matéria prima?
Em um primeiro movimento, é o óbvio que se nos apresenta: que essa conversa de literatura feita seja povoada de comentários sobre o que temos lido e de discussão sobre as opiniões diferentes dos diversos leitores que por aqui passarem. Que esse espaço acolha todas as nossas considerações  - de concordância ou não - sobre o que disseram os autores lidos e os colegas leitores; e também todo nosso encantamento com as obras, seja pelo conteúdo temático, em si, seja por todo o projeto editorial no qual foram organizadas.
Em momento posterior, ocorre-nos que é justamente nesses espaços – de leitura e de conversa - que aprendemos a ver com os olhos de outrem. E são esses olhos que nos permitem olhar para nós mesmos, e nos (re)conhecermos.

Então, que esse seja um espaço de (re)conhecimento pessoal pela palavra alheia que nos povoa e nos alimenta.


Fique à vontade. A casa é sua!